quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Crepusculo cego

Tenho espasmos de um barco mudo
Ancorado em devaneios cristalizados,
Sinto o vento verde que me infla os pulmões,
Mas não consegue movimentar minhas velas inexistentes.

Nos vermelhidões dos crepusculos cegos
Permaneço inerte sem sentido algum...
Sem respostas para o incansável sol
Que encontra na noite refugio para tornar a brilhar.

Quisera ter eu a vitálidade do sol
E descobrir nas noites turvas do meu espírito
Um brilho revigorador de prazeres...

Mas o que resta no barco surdo do meu ser
São ancoras para o sentido da vida...
É perceber na beleza murcha das flores a dor de perecer.

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